Feira ocorre de 17 a 21 de maio, no PAD-DF, a 70 km do aeroporto de Brasília, retomando atividades presenciais sem abandonar formato digital



O avanço da adoção de ferramentas de agricultura digital é uma tendência mundial que vem sendo mapeada por diversas instituições ao redor do mundo. O campo caminha para uma cada vez maior adoção de ferramentas tecnológicas digitais, movimento que não está passando despercebido para a organização da AgroBrasília, que empenha esforços para oferecer as mais modernas soluções tecnológicas a produtores de todos os portes e segmentos. A Feira ocorre de 17 a 21 de maio, no Parque Ivaldo Cenci, no PAD-DF, uma das maiores e mais tecnificadas áreas rurais do Planalto Centrl, a 70 km do aeroporto de Brasília.

O presidente da AgroBrasília, Ronaldo Triacca, ressalta que a Feira em 2022 ocorre em formato híbrido, voltando a realizar a exposição presencial, mas sem abandonar o modelo digital adotado em 2020 em razão da pandemia. Naquele ano, o evento ocorreu de forma totalmente virtual, por meio da plataforma https://digital.agrobrasilia.com.br/, a mesma utilizada neste ano.

"A aplicação cada vez mais crescente de tecnologias digitais é uma tendência do agro com a qual a AgroBrasília está inteiramente comprometida. A organização da Feira e as empresas levarão ao Parque inúmeras novidades, que também estarão disponíveis na plataforma digital, em que será possível comprar online diversos produtos e acompanhar virtualmente os eventos técnicos", pontua Triacca.

Quando se fala em agricultura digital, talvez o comum seja pensar em tecnologias e equipamentos complexos e caros, acessíveis apenas a grandes produtores com muitos recursos. Mas o conceito é bem mais simples, referindo-se ao uso de ferramentas, que podem ou não ser conectadas à internet, para melhorar a performance dos processos produtivos do campo.

O 5G é a nova geração de rede de internet móvel, trazendo maior velocidade para downloads e uploads, cobertura mais ampla e conexões mais estáveis. No Brasil, o planejamento é que a tecnologia seja disseminada no período de 2022 a 2029, com a instalação de antenas pelas capitais do País.

Além disso, o processo de leilão das faixas prevê a expansão de áreas de conectividade para lugares remotos, incluindo as rurais, com potencial de incrementar o uso de ferramentas de agricultura de precisão e de aumentar a produção agropecuária de forma sustentável.

Essas ferramentas permitem, por exemplo, a automação da coleta de dados; análises mais precisas sobre clima, solo, lavoura e equipamentos, tornando mais eficiente o uso de insumos e implementos e evitando prejuízos com imprevistos climáticos; maior acesso a conteúdo técnico certificado; compra direta de matérias-primas, e venda direta de produtos aos consumidores. E essas tecnologias estão acessíveis aos produtores independentemente do tamanho de suas propriedades.

Maioria tem consciência
Cerca de 70% dos pequenos e médios produtores brasileiros têm consciência da necessidade crescente da adoção das tecnologias digitais, é o que mostra a pesquisa "Agricultura Digital no Brasil – tendências, desafios e oportunidades", da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), feita em 2020. O estudo abrangeu pequenos e médios produtores (72% com propriedades de até 50 hectares) de todo o Brasil e ainda empresas ou prestadores de serviço em agricultura digital.

Aproximadamente 95% dos produtores que responderam a pesquisa apontaram ter interesse em receber mais informações sobre agricultura digital. E quase 85% utilizavam pelo menos uma tecnologia digital em seu processo produtivo. Entre as tecnologias digitais adotadas, destacavam-se o uso de internet para atividades gerais ligadas à produção agrícola (70,4%); de aplicativos de celular ou programas de computador para obtenção ou divulgação de informações da propriedade e da produção (57,5%); de aplicativos de celular ou programas de computador para gestão da propriedade e produção (22,2%), e de sistemas de posicionamento global (23%).

Como benefícios, o estudo mostrou que empreendedores rurais que adotam tecnologias digitais obtêm aumento da produtividade; maior eficiência da mão-de-obra; maior qualidade da produção; redução do impacto ambiental; otimização na aquisição e no uso de insumos como sementes, fertilizantes, defensivos, agentes de controle biológico e água; melhor planejamento das atividades diárias; redução de custos, e aumento de lucros.

Também de 2020, um outro mapeamento, feito pela consultoria global de gestão e estratégia Boston Consulting Group, mostrava que 45% dos empresários rurais brasileiros planejavam aumentar o investimento em novas tecnologias para a lavoura. Do universo de entrevistados pela consultoria, 36% já investiam regularmente em digitalização, a maior parte localizada no Centro-Oeste e no oeste da Bahia. O índice nacional estava próximo do encontrado nos Estados Unidos e bem acima do de países europeus.
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Rosângela Chimiti

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